
A Diretora Comercial da Novagest, explica por que razão as organizações ainda subestimam o impacto estratégico da alimentação, e o que muda quando deixam de o fazer
Hospitais que falham na entrega de dietas adequadas. Empresas que percebem tarde demais que a produtividade das equipas tem a ver com o que está no prato. Escolas onde o desempenho dos alunos é afetado por uma refeição mal gerida. Para N’zinga Cruz, Directora Comercial da Novagest, estes cenários são o momento em que as organizações finalmente despertam para uma realidade que deviam ter reconhecido muito antes.
Quando o problema aparece, já é tarde
Em muitas organizações, a alimentação institucional só sobe à agenda quando alguma coisa corre mal. Uma reclamação. Uma falha no serviço. Uma situação que expõe a fragilidade de uma gestão que nunca foi levada a sério.
«É neste momento que se torna claro que a alimentação dos colaboradores não é apenas um serviço de apoio: é um factor-chave para o desempenho das equipas, a satisfação dos colaboradores e a recuperação de pacientes», afirma N’zinga Cruz.
O problema, acrescenta, é que muitas organizações chegam a esse reconhecimento de forma reactiva. E quando chegam, o custo – operacional, reputacional e humano – já é mais elevado do que teria sido se a decisão tivesse sido tomada antecipadamente.
Os erros que se repetem
Ao longo de anos de trabalho no sector, a responsável da Novagest identificou um padrão que se repete com regularidade. As organizações que tentam gerir internamente a alimentação das suas equipas tendem a cometer os mesmos erros: subestimam a complexidade logística, ignoram a diversidade de dietas e restrições alimentares, e tomam decisões com base exclusivamente no custo.
«Muitas vezes, o foco limita-se apenas ao custo, sem ter em conta a qualidade nutricional, a segurança alimentar ou a experiência do utente», explica.
O resultado é um serviço que parece funcionar, até ao momento em que deixa de funcionar. E em contextos como hospitais ou escolas, as consequências de uma falha não são apenas operacionais. São directamente humanas.
Alimentação como decisão estratégica
Em ambiente hospitalar, uma dieta inadequada pode comprometer a recuperação de um paciente. Numa escola, uma refeição de má qualidade afeta a concentração e o rendimento dos alunos. Numa empresa industrial com operações exigentes, a alimentação dos trabalhadores tem impacto direto na sua capacidade de desempenho e segurança.
«Uma gestão profissional nesta área não garante apenas nutrição, mas também cuidado, confiança e melhoria da qualidade de vida», defende N’zinga Cruz.
É com base nesta convicção que a Novagest estrutura as suas operações em torno da experiência do utente, com menus adaptados, atenção ao feedback, ambientes pensados para o bem-estar e, cada vez mais, ferramentas digitais que permitem uma resposta mais ágil às necessidades de cada contexto.
A certificação ISO 9001 e as auditorias realizadas em parceria com a SGS são, segundo a responsável, a expressão concreta de uma cultura interna de rigor. «Cada membro da equipa compreende o impacto do seu trabalho no bem-estar do utente e na reputação da instituição», sublinha.
O que está a mudar no mercado angolano
A procura está a evoluir. Os clientes institucionais, como hospitais, escolas, empresas industriais, valorizam hoje muito mais do que antes a qualidade nutricional, a segurança alimentar e a transparência nos processos. A sustentabilidade começa a entrar nas conversas. A personalização das refeições deixou de ser um diferenciador para passar a ser uma expectativa.
«As instituições não veem a alimentação apenas como um serviço, mas como um factor estratégico para a saúde e a produtividade», resume N’zinga Cruz.
Para quem ainda não deu esse passo, o conselho é directo: «Não subestime o papel da alimentação. Invista em parceiros com experiência, valorize a segurança alimentar, aposte na personalização sempre que possível e coloque o bem-estar do utente no centro da estratégia.»
Em síntese
A alimentação institucional continua a ser tratada, em muitas organizações, como um custo a minimizar. A experiência da Novagest sugere que essa abordagem tem um preço e que ele se paga mais tarde, em falhas operacionais, reclamações e reputação danificada. O argumento de N’zinga Cruz é claro: gerir bem a alimentação não é uma despesa. É um investimento directo no desempenho, na saúde e no sucesso da instituição.


